Garriga de Menezes

Dicas para convivência familiar em tempos de distanciamento social

De um dia para o outro nos vimos em um contexto totalmente diferente. Foi preciso ficar em casa, para nos proteger e a todos aqueles que nos cercam. Nossas rotinas mudaram. Algumas pessoas passaram a trabalhar em casa, outras precisaram manter a rotina do lado de fora, para ajudar e cuidar da saúde das pessoas. Consequências decorrentes do distanciamento social, uma medida de prevenção para conter a transmissão da Covid-19. Certamente este momento que estamos vivendo traz muitas novidades e muitos desafios. Estamos aprendendo a cada dia a lidar com essa nova rotina e, assim, nos reinventando. Todos nós, alunos, famílias, professores, escola. As crianças deixaram de frequentar as aulas presencialmente, mas a escola não deixou de ir até elas. As famílias abriram suas casas para os professores, virtualmente. E passamos a nos conectar de uma forma diferente, como nunca tínhamos feito antes.

Como o distanciamento social afeta a convivência familiar?

A rotina de permanência em casa tem intensificado muito o convívio familiar. O cuidado das crianças normalmente costumava ser compartilhado com uma rede de apoio formada por escola, avós, outros familiares ou demais cuidadores, o que, no atual momento, não tem sido possível. Com isso, a convivência doméstica neste período se tornou um grande desafio para todos. A possibilidade de os familiares passarem mais tempo com as crianças tem viabilizado uma maior interação, o que tem permitido também o fortalecimento do vínculo, que é fundamental para o desenvolvimento dos filhos.

Estar em casa com os filhos enquanto se trabalha, dividindo muitas vezes o mesmo espaço, e acompanhar as aulas das crianças, tornou-se a nova rotina das famílias, alterando muito o dia a dia de todos. As mudanças pelas quais passamos costumam provocar as reações mais diversas, principalmente quando acompanhadas de alguma privação, podendo potencializar sentimentos de preocupação, angústia ou medo. Quando a convivência é acompanhada de dificuldades devido à sobrecarga dos familiares ou cuidadores por atividades domésticas, trabalho dentro ou fora de casa (ex. teletrabalho), bem como demandas das crianças (realização de atividades escolares a distância, atividades de cuidado e lazer), a tensão pode se intensificar.

Em relação aos adultos, a preocupação com o trabalho, com a saúde e com o futuro podem gerar mais ansiedade, irritabilidade e menor paciência para lidar com o cotidiano e com as necessidades das crianças. Ao mesmo tempo, neste cenário de pandemia, as crianças também podem estar mais estressadas diante das restrições de mobilidade e de contato com seus pares e outros adultos significativos em suas vidas e, portanto, podem reagir de forma mais agressiva às demandas externas e às solicitações dos familiares.Sendo assim, é importante que as famílias entendam que é possível a criança perder a paciência, demonstrar angústia e raiva em alguns momentos, afinal, vive-se um período de excepcionalidade. Nessas situações, cabe a nós adultos compreender melhor o que se passa e buscar alternativas para atravessar as dificuldades, de forma a auxiliar os filhos a lidar com os desafios que se impõem.

Como se adaptar a essa nova realidade?

É tempo de refletir, repensar, reinventar. Dar novo sentido para nossas vidas e relações. Nessa direção, sugerimos aos pais e responsáveis que aproveitem este momento para investir na ressignificação das relações em família. Manter o diálogo e a acolhida com as crianças poderá ajudá-las a compreender que há momentos difíceis que envolvem sofrimento, mas que é possível enfrentá-los para superá-los.

1. Mantenha uma rotina

Uma estratégia para enfrentar o período de distanciamento social durante a pandemia é organizar a rotina familiar. Planejar o dia, e mantê-lo o mais próximo possível da rotina habitual, pode auxiliar na prevenção de dificuldades emocionais relacionadas à ansiedade e ao estresse. Ter um horário para acordar, fazer as refeições e dormir, assim como para realizar as diversas atividades, contribui para a organização do dia e também pode ser um aliado na promoção de bem-estar. As tarefas domésticas podem ser divididas inclusive com as crianças, respeitando o que conseguem fazer com segurança. Ter um tempo dedicado ao descanso também é fundamental, assim como o lazer não pode ser esquecido. As crianças precisam se movimentar. Assim, atividades que envolvam o corpo são necessárias, mas pode-se diversificar engajando-as em outras brincadeiras como jogos, desenhos, contação de histórias. Neste momento, o uso das telas (TV, smartphones, tablets, computadores) tem sido um aliado importante na manutenção dos laços sociais e afetivos das crianças, embora o tempo de exposição precise ser observado.

2. Realize atividades em família

Realizar algumas atividades em família como, por exemplo, leituras/contação de histórias, jogos, brincadeiras e colocar em prática uma receita culinária pode possibilitar importantes momentos de distração e lazer. Conversar sobre o período que estamos vivendo, compartilhar sentimentos, medos e expectativas, além de fortalecer os valores preservados pela família, pode auxiliar na reflexão sobre possíveis aprendizados a partir dessa experiência. Ao compartilharmos pensamentos, ideias e sentimentos temos a oportunidade de refletir sobre formas positivas de enfrentar o contexto que estamos passando.

3. Exercite a tolerância

Organizar e compor todas essas demandas é um desafio. Há que se ter uma estrutura, mas também flexibilidade. A construção conjunta de acordos e regras de convivência pode diminuir possíveis conflitos. As cobranças não devem se sobrepor à tolerância e à consciência de que não será possível dar conta perfeitamente de todas as atividades. O mais rico aprendizado que poderá ficar deste período é o cuidado mútuo entre as pessoas e destas com o ambiente em que vivem.

Equipe de Orientação Educacional – Ensino Fundamental I
Larissa Scherer (Psicóloga, Mestre em Educação, Doutoranda em Psicologia)
Manoella Senna (Pedagoga, Mestre em Educação, Doutoranda em Educação)

 *Texto elaborado com base nas orientações do documento “Crianças na pandemia Covid-19”, Fiocruz, Ministério da Saúde, Brasil, 2020.

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